Dor no ombro

Patologia Dor no ombro

O ombro é movido pelos músculos e tendões da coifa dos rotadores. Entre estes e o acrómio, que é parte da omoplata, encontramos a bursa, uma espécie de almofada. Com actividades repetitivas do ombro, quer a bursa quer os tendões podem ficar inflamados e causar dor. 


Conflito sub-acromial

O conflito entre os tendões da coifa e o acrómio é causa de dor no ombro e pode ser consequência de um acrómio com uma forma demasiado curva, depósitos de cálcio nos tendões do ombro, desgaste na articulação da parte mais lateral da clavícula, roturas completas ou parciais da coifa dos rotadores, desequilíbrio muscular entre os diferentes músculos do ombro ou má postura e má mobilização da omoplata.

 

Terapêutica do conflito

Normalmente só há indicação para cirurgia quando as terapêuticas conservadoras fracassaram. Por terapêuticas conservadores referimos-nos a analgésicos e anti-inflamatórios, fisioterapia, correcções da postura e auto-exercícios feitos pelo doente em sua casa. Por vezes uma injecção de cortisona pode resolver o problema e evitar a cirurgia. A maioria das dores de ombro provocadas por conflito melhoram com as terapêuticas conservadoras, sem necessidade de cirurgia. No entanto, se a dor persiste apesar destas terapêuticas pode estar indicada a realização de uma cirurgia.

 

Qual a função da coifa dos rotadores?

A coifa dos rotadores mantém a cabeça do úmero centrada na articulação e equilibram a articulação nos movimentos do ombro. Além disso também participam activamente na mobilização do ombro.

 

As roturas da coifa dos rotadores podem curar-se espontaneamente?

A circulação de um tendão que sofreu rotura é bastante débil e o potencial de cura espontânea é muito baixo. No entanto, mesmo sem curar, a rotura pode deixar de doer. Mas mesmo num período sem dor a rotura pode aumentar ao longo do tempo e chegar a um ponto em que o tendão retrai e se converte parcialmente em gordura, podendo chegar a um estado em que já não é possível suturar o tendão.

 

O que provoca as roturas da coifa dos rotadores?

Em doentes jovens são habitualmente provocadas por traumatismo e na segunda metade da vida habitualmente causadas por desgaste ao longo dos anos.

 

Que sintomas dá uma rotura da coifa dos rotadores?

Os sintomas típicos de uma lesão da coifa dos rotadores são dor no ombro (mais intensa durante a noite), perda de força e agilidade no ombro e muitas vezes uma dor lancinante, em movimentos de rotação, principalmente com o braço levantado.

 

Como são investigadas as dores no ombro?

A base da investigação são o exame físico e uma radiografia do ombro. Se se suspeitar de lesão no tendão pode-se recorrer a uma ecografia ou eventualmente uma tac ou ressonância magnética. Por vezes é necessário injectar um agente de contraste dentro da articulação durante a realização da tac ou da ressonância.

 

Como são tratadas as lesões da coifa dos rotadores?

O tratamento depende, entre outros factores, da idade do doente, da actividade desportiva,  da extensão da lesão e do estado do tendão. O tratamento conservador, isto é, sem cirurgia, é possível em muitos casos. A base do tratamento conservador é a fisioterapia, quer com ajuda de um terapeuta num centro de fisioterapia, quer em casa com exercícios que são ensinados aos doentes.

Há lesões da coifa que se mantém estáveis ao longo do tempo e que podem ser tratadas sem cirurgia.

Nas roturas recentes (ie, agudas) em doentes jovens, a cirurgia é quase inevitável. Esta cirurgia é feita habitualmente com artroscopia.

Se a rotura não é recente (ie, crónica) a rotura da coifa pode aumentar de tamanho e a qualidade do tendão pode deteriorar-se ao ponto de já não ser possível fazer a sutura do tendão. Nestes casos pode-se fazer uma limpeza articular, também por artroscopia para remover da articulação estruturas que estão a causar dor como restos de tendão ou a bursa ("almofada" entre os tendões e o osso).

Nos doentes com idade avançada a prótese do ombro invertida pode ser uma solução no caso de roturas irreparáveis da coifa.

 

Quais são os cuidados a ter após uma sutura da coifa?

Nas seis semanas a seguir à cirurgia o doente terá que usar o braço ao peito, com uma almofada especial para manter o cotovelo levantado, de modo a diminuir as forças de tensão no tendão suturado.

A fisioterapia dura aproximadamente seis meses, com 2 a 3 vezes por semana na primeiras semanas sendo depois diminuída gradualmente até uma vez por semana, sempre com acompanhamento regular por parte da equipa de fisioterapia do GO. A incapacidade para o trabalho depende do tipo de trabalho e pode variar entre 3 a 6 meses.

A consulta de controlo com o cirurgião responsável é realizada 6 semanas após a cirurgia.

 

Quais são os riscos de não operar uma rotura da coifa?

A rotura do tendão pode aumentar com o tempo e o tendão pode retrair e sofrer degeneração (com transformação parcial em gordura) tornando-o irreparável. O ritmo deste processo é no entanto difícil de prever, O défice de força pode persistir ou agravar, tal como a dor. No entanto com fisioterapia os tendões vizinhos podem compensar alguma perda de função e com isso o ombro manter a força necessária ás actividades do doente.

Deve-se evitar a imobilização prolongada pelo risco de provocar uma rigidez do ombro – um ombro congelado.

 

Quais são os riscos de operar uma rotura da coifa?

A imobilização inicial necessária após a cirurgia pode levar uma rigidez do ombro – um ombro congelado.  Com a idade, a taxa de cicatrização do tendão após a sutura diminui e existe um risco de ter novas roturas. A recuperação completa da força e da amplitude de movimentos pode não ser alcançada em todos os casos. O retorno ao trabalho, principalmente se este for fisicamente duro, pode acontecer em alguns casos apenas aos 6 meses. A cirurgia requer anestesia regional ou geral, que também tem riscos, sendo no entanto pouco frequentes.

 

Conclusão sobre a  dor no ombro

A dor no ombro não deve ser abordada de ânimo leve, apesar de não ser necessária cirurgia na maioria dos casos. Se a dor é tão intensa que levou à necessidade de uma infiltração, então deverá ser feita uma investigação detalhada.

A fisioterapia desempenha um papel central no tratamento de muitas doenças do ombro. Se for confirmada uma rotura cujos sintomas não melhoram com a fisioterapia, a cirurgia artroscópica fornece uma solução minimamente invasiva para suturar o tendão. No entanto essa decisão requer uma participação activa de um doente muito motivado uma vez que o tratamento mesmo após a cirurgia demora vários meses.

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