Ombro congelado

O que é um ombro congelado?

O ombro congelado, também conhecido por capsulite adesiva, causa dor e rigidez do ombro, dificultando muito as mobilizações do ombro ao longo do tempo. Ocorre em cerca de 2% população em geral e afeta comummente pessoas com idades entre os 40 e 60 anos, ocorrendo mais em mulheres que em homens.

A cápsula articular do ombro proporciona-lhe estabilidade e alguma elasticidade durante as mobilizações. No ombro congelado esta estrutura fica espessada e retraída, apresentado frequentemente com bandas fibrosas (aderências). As causas desta patologia não são bem conhecidas. Não há uma relação clara com o membro dominante ou atividade profissional. Sabe-se que alguns fatores podem conduzir a um risco aumentado de desenvolver a doença, nomeadamente:

  • Diabetes mellitus: o ombro congelado ocorre muito mais frequentemente em pessoas com diabetes, afetando cerca de 10 a 20% destes doentes; o motivo permanece desconhecido.

  • Outras doenças: outros problemas médicos associados ao ombro congelado incluem hipo ou hipertiroidismo, doença de Parkinson ou doença cardíaca.

  • Imobilização do ombro ou outras patologias do ombro: estas condições podem conduzir a ombro congelado, pelo que é importante a mobilização articular precoce após traumatismos ou procedimentos cirúrgicos.

Cortesia: www.shoulderdoc.co.uk

 

Quais os sintomas do ombro congelado?

O ombro congelado manifesta-se geralmente com dor de instalação lenta e progressiva e desenvolve-se ao longo dois a três anos, passando por três fases:

  1. Fase inicial (2 a 9 meses): dor inicialmente em determinadas posições com agravamento progressivo, em particular durante a noite.

  2. Fase de estado (11 a 12 meses): diminuição da dor com diminuição mais importante das mobilidades, em particular a rotação externa.

  3. Fase de resolução (6 a 9 meses): retorno gradual da mobilidade e diminuição da dor.

 

Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico é fundamentalmente clínico, isto é, baseado na adequada colheita dos dados fornecidos pelo doente e no exame físico realizado pelo médico. Este exame consistirá na apreciação das limitações das mobilidades e na dor causada à mobilização. O médico irá comparar as mobilidades passivas (sem força realizada pelo doente e com o auxílio do clínico) com as mobilidades ativas (desempenhadas pelo doente, sem ajuda) – no ombro congelado estão ambas diminuídas.

Por norma não são realizados outros exames complementares de diagnóstico, a menos que se pretenda identificar outras causas associadas de dor do ombro e que possam estar também a causar essa rigidez do ombro.

 

Quais as opções terapêuticas?

O ombro congelado por norma resolve-se espontaneamente num período de 3 anos. O foco do tratamento é essencialmente o controlo da dor, pela medicação analgésica e anti-inflamatória, e o restauro das mobilidades e força, através de ciclos de fisioterapia. Mais de 90% dos doentes responde a esta abordagem terapêutica, embora uma minoria não recupere os extremos das mobilidades.

Por norma, a corticoterapia intrarticular não está indicada.

Se os sintomas não aliviarem com a medicação e a fisioterapia ou o doente se apresentar ansioso para retomar a atividade habitual, o médico pode discutir a possibilidade cirúrgica com o doente. É importante discutir com o médico o potencial do doente para a recuperação espontânea ou com os tratamentos não cirúrgicos, face aos riscos da cirurgia.

O objetivo da cirurgia do ombro congelado é distender e libertar a cápsula articular retraída. Os procedimentos mais comuns são a manipulação sob anestesia e a artorscopia do ombro:

  • Manipulação sob anestesia: durante este procedimento o doente é sedado e o cirurgião força o ombro a mobilizar-se, causando intencionalmente a rotura da cápsula. Isto liberta a retração e aumenta as mobilidades.

  • Artroscopia do ombro: neste procedimento serão realizadas pequenas incisões com cerca de 5mm e com apoio da câmara artroscópica e de instrumental apropriado serão libertadas porções da cápsula.

Em muitos casos, estes dois procedimentos são realizados em associação para obter máximos resultados. A maioria dos doentes tem muito bons resultados com estes procedimentos.

 

Como se processa a reabilitação pós-operatória?

A recuperação pós-operatória passa também por fisioterapia, podendo levar seis semanas a três meses até à recuperação completa. O empenho no doente na fisioterapia é o fator mais importante para voltar às atividades habituais. Os resultados a longo prazo são geralmente bons com a maioria dos doentes sem dor ou com dor ligeira e aumento considerável das mobilidades. No entanto em alguns casos, após vários anos as mobilidades podem não voltar ao normal completamente ou manter rigidez ligeira.

Embora incomum, o ombro congelado pode recorrer, particularmente se houver um fator predisponente, como a presença de diabetes.

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