Rotura da coifa dos rotadores

O que é a coifa dos rotadores?

Coifa dos rotadores é o nome que se dá ao conjunto de quatro músculos têm origem na omoplata e se unem numa estrutura tendinosa que se vai inserir na cabeça do úmero, Esta estrutura envolve a articulação gleno-umeral do ombro, como se de uma manga se tratasse, mantendo a cabeça do úmero centrada na articulação e equilibrando a articulação nas mobilizações do ombro. Além disso também participa activamente nesta mobilização.

 

O que provoca a sua rotura?

As roturas da coifa dos rotadores em doentes jovens são habitualmente provocadas por traumatismo e na segunda metade da vida habitualmente causadas por desgaste ao longo dos anos. A rotura da coifa consiste geralmente na desinserção do tendão do osso no úmero. Isso faz com que os músculos não funcionem corretamente e é causa de dor.

 

Pode a rotura curar espontaneamente?

A circulação de um tendão que sofreu rotura é bastante débil e o potencial de cura espontânea é muito baixo. No entanto, mesmo sem curar, a rotura pode deixar de doer. Ainda que na ausência de dor, a rotura pode aumentar ao longo do tempo conduzindo a retração do tendão que se converte parcialmente em gordura, inviabilizando a sua reparação futura.

 

Quais os sintomas de uma rotura da coifa dos rotadores?

Os sintomas típicos de uma lesão da coifa dos rotadores são dor no ombro (mais intensa durante a noite), perda de força e agilidade no ombro agilidade e perda de força no ombro e muitas vezes uma dor lancinante, em movimentos de rotação, principalmente com o braço levantado.

Cortesia: www.shoulderdoc.co.uk

 

Como se estabelece o diagnóstico?

A base da investigação são o exame físico e uma radiografia do ombro. Se se suspeitar de lesão no tendão pode recorrer-se a uma ecografia que pode orientar o diagnóstico; para uma melhor orientação terapêutica, a ressonância magnética é útil, bem como pode haver lugar para o pedido de tomografia computorizada. Em situações pontuais, poderá ser necessário injectar um agente de contraste dentro da articulação durante a realização destes últimos dois exames.

 

Como são tratadas as lesões da coifa dos rotadores?

O tratamento depende, entre outros factores, da idade do doente, da actividade desportiva, da extensão da lesão e do estado do tendão. O tratamento conservador, sem cirurgia, é possível em muitos casos. A base do tratamento conservador é a fisioterapia, quer com ajuda de um terapeuta num centro de fisioterapia, quer em casa com exercícios que são ensinados aos doentes.

Há lesões da coifa que se mantém estáveis ao longo do tempo e que podem ser tratadas sem cirurgia.

Nas roturas recentes (ie, agudas) em doentes jovens, a cirurgia é quase inevitável. Esta cirurgia é feita habitualmente por artroscopia, com vista à reparação da coifa dos rotadores. Embora a cirurgia aberta origine bons resultados, na maioria dos casos prefere-se a reconstrução artroscópica. A artroscopia permite uma avaliação intra-operatória mais detalhada das estruturas anatómicas e permite fazer a reconstrução poupando os músculos à volta da articulação. O objectivo da operação é fixar o tendão rasgado novamente ao osso, na sua posição original. Os tendões são fixados ao osso de forma estável através de âncoras ósseas, que podem ser de plástico, de metal, de material absorvível ou constituídas por fios de sutura. Simultaneamente realiza-se frequentemente a acromioplastia (retirar alguns milimetros de osso da parte inferior do acrómio). Os objetivos da cirurgia são a melhoria da dor e a restauração da força dos msuculos do ombro.

Nas roturas não recentes (i.e., crónicas) a rotura da coifa pode aumentar de tamanho e a qualidade do tendão pode deteriorar-se ao ponto de já não ser possível fazer a sutura do tendão. Nestes casos pode fazer-se a limpeza articular, também por artroscopia, para remover da articulação estruturas que estão a causar dor como detritos de tendão ou a bursa ("almofada" entre os tendões e o osso). Nestes casos, o desbridamento da coifa por artroscopia é realizado quer nas roturas muito pequenas que não são relevantes ou nas roturas muito extensas que já não podem ser suturadas. As porções instáveis dos tendões e tecido inflamatório é removido. O objectivo desta operação é conseguir uma diminuição da dor. Depois desta operação não é necessária imobilização e a reabilitação é simples.

Em casos mais raros, quando o tendão é muito fino pode ser necessário colocar uma estrutura tipo penso sobre os tendões como reforço biológico da sutura realizada. Nas grandes roturas em que os tendões estão em mau estado que não permite a sutura pode ser necessário aplicar técnicas cirúrgicas especiais como as transferências de tendões. Nestes casos os tendões danificados são substituídos por tendões redireccionados do peito ou das costas. As transferências de tendões têm no entanto soluções de último recurso, com resultados limitados e habitualmente não é possível recuperar o ombro a uma função totalmente normal.

Nos doentes com idade avançada a prótese do ombro invertida pode ser uma solução no caso de roturas irreparáveis da coifa.

 

Quais são os cuidados a ter após uma sutura da coifa?

Nas seis semanas a seguir à cirurgia o doente terá que manter o braço ao peito, com uma almofada especial para manter o cotovelo levantado, de modo a diminuir as forças de tensão no tendão suturado.

A fisioterapia dura aproximadamente seis meses, com uma frequência de 2 a 3 vezes por semana nas primeiras semanas sendo depois diminuída gradualmente até uma vez por semana, sempre com acompanhamento regular por parte da equipa de fisioterapia. A incapacidade para o trabalho depende do tipo de trabalho e pode variar entre 3 a 6 meses.

A consulta de controlo com o cirurgião responsável é realizada 6 semanas após a cirurgia.

 

Quais são os riscos de não operar uma rotura da coifa?

A rotura do tendão pode aumentar com o tempo e o tendão pode retrair e sofrer degeneração (com transformação parcial em gordura) tornando-o irreparável. O ritmo deste processo é no entanto difícil de prever, O défice de força pode persistir ou agravar, tal como a dor. No entanto com fisioterapia os tendões vizinhos podem compensar alguma perda de função e com isso o ombro manter a força necessária ás actividades do doente.

Deve-se evitar a imobilização prolongada pelo risco de provocar uma rigidez do ombro – um ombro congelado.

 

Quais são os riscos de operar uma rotura da coifa?

A imobilização inicial necessária após a cirurgia pode levar uma rigidez do ombro – ombro congelado. Com a idade, a taxa de cicatrização do tendão após a sutura diminui e existe um risco de ter novas roturas. A recuperação completa da força e da amplitude de movimentos pode não ser alcançada com a cirurgia em todos os casos. O retorno ao trabalho se este for fisicamente duro pode acontecer em alguns casos apenas aos 6 meses. A cirurgia requer anestesia regional ou geral, que também tem riscos, sendo no entanto pouco frequentes.

 

Sucesso do tratamento

Após a conclusão da reabilitação pós operatória, é possível obter uma redução significativa da dor e restaurar a função do ombro na maioria das vezes. Ocasionalmente pode permanecer um ligeiro défice de força mesmo após a sutura da rotura.

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