Rotura do tendão distal do bicípite

O que é?

O músculo bicípite está localizado anteriormente no braço e está fixado no ombro e cotovelo por tendões – bandas fibrosas fortes que ligam músculos aos ossos.

As roturas do tendão do bicípite no cotovelo são incomuns e são causadas mais frequentemente por um traumatismo súbito, de extensão forçada contra resistência principalmente aquando de levantamento de um peso. As roturas podem envolver apenas parte do tendão (roturas parciais) ou todo ele (roturas totais); geralmente as roturas são totais e originam fraqueza importante do braço, essencialmente da supinação do antebraço, isto é, passagem para cima da palma da mão inicialmente virada para baixo.

Ocorre geralmente em homens de 30 ou mais anos e quer o tabagismo quer a medicação corticoesteróide são fatores de risco para a condição.

 

Quais os sintomas associados?

Geralmente o doente sente um “estalo” no cotovelo, aquando da rotura do tendão. A dor é intensa inicialmente, mas resolve em uma ou duas semanas. Outros sintomas incluem edema do cotovelo, equimose visível do cotovelo e antebraço, fraqueza na flexão do cotovelo e na torção do antebraço (supinação), tumefação na porção mais proximal do antebraço e uma lacuna na face anterior do cotovelo causada pela ausência de tendão

 

Em que se baseia o diagnóstico?

O diagnóstico baseia-se fundamentalmente nos dados fornecidos pelo doente e no exame físico desempenhado pelo médico. Podem ser realizadas radiografias do cotovelo para excluir outras causas de dor, mas é a ecografia que melhor ajuda a estabelecer o diagnóstico, para além da ressonância magnética que é geralmente desnecessária.

 

Em que consiste o tratamento

Uma vez roto, o tendão não vai reinserir-se no osso ou cicatrizar espontaneamente. Para recuperar a força para níveis normais, a cirurgia é geralmente recomendada. Nos doentes com baixa exigência funcional, o tratamento não cirúrgico pode ser uma opção razoável.

O tratamento não cirúrgico inclui:

  • repouso: evitando o levantamento de pesos ou atividades acima da cabeça, para aliviar dor e limitar edema; pode ser indicado o uso de suspensão antebraquial por um curto período de tempo.
  • medicação analgésica e anti-inflamatória não esteroide para diminuir dor e edema
  • fisioterapia: após diminuição da dor, para exercícios de fortalecimento dos músculos do braço, para restabelecer as mobilidades tanto quanto possível.

A abordagem cirúrgica deve ser realizada nas primeiras 2 a 3 semanas após a lesão. Depois deste período, o músculo e tendão começam a cicatrizar e encurtar, pelo que o restauro da função com cirurgia pode não ser possível. As técnicas cirúrgicas mais tardias são por norma mais complexas e menos bem sucedidas.

Em fase aguda (nas primeiras 2 a 3 semanas) o procedimento cirúrgico baseia-se na reinserção do tendão no osso do antebraço (rádio), recorrendo a pontos através de buracos ósseos criados para a passagem dos fios; também poderão ser usadas âncoras para esse efeito.

As complicações cirúrgicas são raras e geralmente temporárias – formigueiros ou fraqueza do antebraço, formação de novo osso à volta do tendão ou re-rotura do tendão (incomum).

Logo após a cirurgia, o membro superior é imobilizado em gesso, tala ou ortótese. Uma vez que o tendão demora cerca de 3 meses a cicatrizar completamente, é importante proteger a reparação, restringindo atividades. No entanto a fisioterapia e mobilização precoces são fundamentais para manter as mobilidades do cotovelo.

Seguindo estes princípios, a grande maioria dos doentes apresentam mobilidades completas e força normal no final do seguimento.

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