Síndrome do túnel ulnar

O que é o síndrome do túnel ulnar?

Trata-se de uma patologia que decorre da compressão ou irritação do nervo ulnar no cotovelo. O nervo ulnar é um dos três nervos principais do braço, com origem no pescoço estendendo-se até à mão; pode sofrer compressão ao longo do seu trajeto, nomeadamente junto à clavícula ou no punho. O local mais frequente de compressão é atrás da parte interna do cotovelo, constituindo a síndrome do túnel ulnar.

Os fatores de risco para desenvolver a patologia incluem: fraturas prévias ou luxações do cotovelo, esporões ósseos ou artrose, edema do cotovelo, quistos junto ao cotovelo ou atividades repetitivas ou prolongadas que exijam a manutenção do cotovelo em flexão. Por vezes ocorre em pessoas que passam longos períodos com cotovelos em flexão (ex.: durante o sono, passar muito tempo ao telefone ou a conduzir) ou que passam muito tempo apoiados nos cotovelos.

 

Quais os sintomas?

Os doentes podem queixar-se de dor medial do cotovelo, no entanto os sintomas são mais frequentes na mão e dedos anelar e mindinho, por vezes de sensação de choque elétrico. Estes sintomas costumam ser intermitentes e por vezes acordam o doente durante a noite. Fraqueza na preensão e dificuldade na coordenação dos dedos (como dactilografar ou tocar um instrumento) podem ocorrer e geralmente acontecem nos casos mais graves de compressão nervosa.

Em situações de compressão e sofrimento prolongado do nervo, pode ocorrer atrofia muscular da mão, que não é reversível. Por este motivo, é importante consultar o ortopedista se os sintomas são severos e estão presentes há mais de seis meses.

 

Como se diagnostica?

O diagnóstico é geralmente clínico, baseado na descrição dos sintomas pelo doente, na observação e exame objetivo realizado pelo médico. Podem ser úteis exames radiográficos, para avaliar a presença de proeminências ósseas, ou estudos de condução nervosa que testam a capacidade de envio de mensagem do nervo, como se de “cabos elétricos” se tratassem; durante estes exames, são colocadas pequenas agulhas em alguns músculos que são inervados pelo nervo ulnar, para averiguar a condução nervosa.

 

O tratamento pode ser não-cirúrgico?

Na maioria dos casos, quando ainda não existe atrofia muscular, os sintomas conseguem controlar-se com tratamento conservador, baseado na modificação das atividades (evitando a flexão prolongada e repetida do cotovelo) e ortóteses. Anti-inflamatórios não esteroides (como ibuprofeno ou outros) podem ser prescritos para diminuir o edema local. Em alguns casos, a fisioterapia pode ser útil.

 

Em que consiste o tratamento cirúrgico?

A cirurgia está indicada em três situações:

  1. os métodos não cirúrgicos foram ineficazes na melhoria dos sintomas;

  2. o nervo ulnar está muito comprimido;

  3. a compressão nervosa causou fraqueza ou lesão muscular.

O tratamento cirúrgico baseia-se na libertação do nervo, seccionando o “teto” do túnel, diminuindo a pressão sobre o nervo. Alguns autores sugerem a transposição do nervo para localização anterior, para além da sua simples libertação, com vista a diminuir as recidivas, embora se tratando de uma abordagem mais complexa e que impede a realização futura de artroscopia (por exemplo). Nalguns casos pode ser necessária a epicondilectomia medial parcial, isto é, excisão de parte do epicôndilo medial.

Os resultados cirúrgicos são melhores quando a compressão é leve a moderada. Como o nervo recupera lentamente, pode tomar tempo considerável a recuperar.

 

Como se processa a recuperação pós-operatória?

Dependendo da cirurgia, o doente poderá ter de usar uma tala durante algumas semanas e o doente poderá ser encaminhado para reabilitação.

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